Separando o joio do trigo - # 004


Às vezes nos sentimos sobrecarregados mentalmente.
Parece que muitas coisas estão acontecendo simultaneamente e temos uma grande dificuldade de descansar, relaxar ou focar...

Às vezes sentimos que estamos ficando "para trás".
Que precisamos trabalhar mais, malhar mais, ganhar mais dinheiro, ser mais feliz e acabamos exaustos, largados na cama, imersos na vida virtual...

Se isso descreve a sua experiência, não há nada de errado com você, essa é a realidade da vida moderna.
Mentes super-estimuladas, "surdas" para as emoções e descompassadas das oportunidades da vida.

Algumas vezes rotulamos este funcionamento: déficit de atenção, hiperatividade ou ansiedade.
Mas por que uma quantidade cada vez maior de pessoas se sentem assim?


Compreendendo o fenômeno

Imagine acordar com uma sensação difusa de peso no peito.
Não é tristeza. Não é raiva. É um cansaço emocional difícil de nomear.

Você sentetensão, desânimo, perda de vitalidade.
Sua mente, acelerada e desatenta, pensa“Não há motivos para me sentir assim”, “Minha vida está boa”“Não vou perder tempo com isso”.
Então você agesegue trabalhando, lapidando a rotina intensa, cumprindo expectativas. Afirma que está tudo bem e evita qualquer mudança.

Quando o que você sente, o que pensa e o modo que vive não caminham na mesma direção, nasce a angústia (sofrimento psíquico).

Quando estamos incongruentes, o sentir é desautorizado, o pensamento julga antes de escutar e a ação se desconecta do que está vivo em nós.

O resultado não é um colapso imediato. 
É um mal-estar persistente, difícil de explicar, difícil de calar.


Alinhando o sentir, o pensar e o agir

Nos posts anteriores desta jornada refletimos sobre silenciar, criando espaço interno com a pergunta “O que está vivo em mim agora?”.

Depois praticamos a atitude de observar o que surge sem analisar.
Observar, nomear e deixe estar, permitindo que a experiência revele o que precisa revelar.

Agora vamos dar mais um passo importante nas habilidades necessárias para alinhar o sentir, o pensar e o agir: acolher sensações, sentimentos, pensamentos automáticos como pistas relevantes da direção a seguir na nossa Jornada.
 

Somos seres Integrados

Somos corpo, mente e espírito.
Somos relacionamentos e emoções.
Vivemos tudo isso ao mesmo tempo — e isso se influencia mutuamente.

Uma dor física pode abalar o nosso humor.
A tristeza pode afetar a nossa imunidade.
Uma injustiça pode nos irritar.

Quando reconhecemos a nossa própria complexidade e aceitamos que existe muito mais do que a vista alcança, abrimos espaço para nosso organismo se alinhar.

Calibrando a sua bússola

Agora que você já aprendeu a silenciar e observar o que surge sem julgar, vamos aprender a nos alinhar.

Feche os olhos por alguns instantes.
Respire com suavidade.
E responda: “O que está vivo em mim agora?”

Observe, nomeie e deixe estar.
Respire no local por alguns segundos.
Sinta a verdade suave do que está vivo aí.

Agora se pergunte: "Como posso honrar o que está vivo em mim?"

Deixe surgir.
Pequenos movimentos, micro-ajustes espontâneos na postura ou um som visceral.
Uma imagem, uma ideia ou um palpite.

Continue respirando.
Desperte para a energia sutil que transita no seu corpo.
Buscando o seu ritmo próprio e singular
.


Por que esta prática funciona?

Porque ela interrompe o funcionamento automático e devolve presença à experiência.
Ela não força mudanças.
Ela não exige decisões imediatas.

Ela apenas restaura o contato.

Ao silenciar, observar e permanecer com o que está vivo, você permite que sentir, pensar e agir voltem a se reconhecer como partes do mesmo processo.

A angústia tende a diminuir não porque foi resolvida,
mas porque deixou de ser ignorada.

Quando o que está vivo encontra espaço para existir,
o organismo começa, naturalmente, a buscar alinhamento.

Sem pressa.
Sem violência.
No seu tempo.


Para continuar

Se você fez o exercício dos 7 minutos, experimentou a Postura Tripla e calibrou a sua Bússola, já percorreu passos essenciais:

  1. Criou espaço interno
  2. Entrou em contato com o que está vivo em você
  3. Permitiu que o sentir, o pensar e o agir encontrassem alinhamento

    No próximo post, vamos avançar aprofundar um pouco mais, introduzindo a respiração como forma de transformação.

    Até lá, respeite a sabedoria do seu organismo.

    A Autoescuta como caminho. Boa Jornada.



    Comentários