O que você era antes de aprender a ser o que deveria ser?
Antes das expectativas da família. Antes das regras da escola. Antes de descobrir o que gerava aprovação e o que gerava desaprovação.
Antes de aprender a se encaixar. O que havia lá - espontâneo, curioso, vivo - antes de tudo isso?
A mesma criança, um olhar diferente
No Passo 13, encontramos a criança ferida dentro de nós - o complexo formado a partir das adaptações necessárias, que ainda age no adulto de hoje. A criança que aprendeu a não precisar, a não pedir, a não errar. Mas essa não é a história inteira.
Jung observou que a criança interior tem dois rostos. O primeiro é o da ferida - o que foi reprimido para sobreviver. O segundo é o do potencial - o que foi guardado não porque fosse perigoso, mas porque o ambiente não tinha espaço para recebê-lo.
(Para relembrar o que é a sombra de ouro, visite o Passo 09.)
A criatividade que foi chamada de bobagem. A sensibilidade que foi chamada de fraqueza. A curiosidade que foi chamada de inconveniência. A alegria que foi chamada de exagero. O jeito único de ver o mundo que foi chamado de diferente - num tom que não era elogio. Essas qualidades não desapareceram. Foram guardadas.
E parte do trabalho da individuação é resgatar o que foi deixado para trás - não para voltar a ser criança, mas para devolver ao adulto o que só a criança ainda carregava.
(Para entender melhor o que é individuação, visite o Baú de Tesouros.)
O que a criança sabia que o adulto esqueceu
Existe um tipo de conhecimento que as crianças têm e os adultos perdem no processo de se tornarem adultos. A capacidade de se maravilhar com o que é simples. De criar sem se preocupar com o resultado. De brincar sem precisar de justificativa. De sentir sem precisar de explicação. De estar completamente presente num momento - sem pensar no próximo.
Não é ingenuidade. É uma forma de inteligência que a vida adulta tende a silenciar - em nome da produtividade, da responsabilidade, da seriedade que se espera de quem cresceu.
A criança que quer voltar não quer que você abandone a maturidade que conquistou. Ela quer que você reintegre o que foi deixado para trás. Que o adulto que você é hoje receba de volta o que só ela ainda guarda.
O convite desta semana
Esta prática tem dois movimentos - visualização primeiro, escrita depois.
Primeiro movimento - visualização
Escolha um momento tranquilo. Feche os olhos. Respire algumas vezes.
Traga à memória uma imagem de si mesmo quando criança - antes dos 10 anos, se possível. Um momento em que você estava sendo completamente você mesmo - brincando, criando, explorando, sonhando.
Observe essa criança com ternura:
- O que ela está fazendo?
- O que a faz brilhar?
- O que ela sabe que você esqueceu?
- O que ela ainda guarda que você precisaria resgatar?
Fique com essa imagem por alguns minutos. Sem pressa. Sem julgamento.
Segundo movimento - escrita
Abra o diário de bordo e deixe a criança falar:
- "O que eu mais gostava era... O que me fazia sentir vivo era... O que eu queria que você soubesse é... O que eu ainda guardo para você é..."
- "Eu me lembro de você. E o que você guarda, eu quero receber de volta."
A individuação não é só integrar a sombra. É também resgatar a luz que foi guardada junto com ela. A criança que quer voltar não pede que você regresse. Pede que você avance - com ela.
Bom Caminho.
Outros passos da sua jornada:
Passo 17 - O Sentido da Caminhada ◀|▶ Passo 19 - Quando o Caminho se Torna Mapa

Comentários
Postar um comentário
Este espaço é seu também. Compartilhe o que a leitura despertou em você.