Passo 18 - A Jornada é Lúdica



O que você era antes de aprender a ser o que deveria ser?

Antes das expectativas da família. Antes das regras da escola. Antes de descobrir o que gerava aprovação e o que gerava desaprovação. 

Antes de aprender a se encaixar. O que havia lá - espontâneo, curioso, vivo - antes de tudo isso?


A mesma criança, um olhar diferente 

No Passo 13, encontramos a criança ferida dentro de nós - o complexo formado a partir das adaptações necessárias, que ainda age no adulto de hoje. A criança que aprendeu a não precisar, a não pedir, a não errar. Mas essa não é a história inteira. 

Jung observou que a criança interior tem dois rostos. O primeiro é o da ferida - o que foi reprimido para sobreviver. O segundo é o do potencial - o que foi guardado não porque fosse perigoso, mas porque o ambiente não tinha espaço para recebê-lo.  

(Para relembrar o que é a sombra de ouro, visite o Passo 09.)

A criatividade que foi chamada de bobagem. A sensibilidade que foi chamada de fraqueza. A curiosidade que foi chamada de inconveniência. A alegria que foi chamada de exagero. O jeito único de ver o mundo que foi chamado de diferente - num tom que não era elogio. Essas qualidades não desapareceram. Foram guardadas. 

E parte do trabalho da individuação é resgatar o que foi deixado para trás - não para voltar a ser criança, mas para devolver ao adulto o que só a criança ainda carregava.  

(Para entender melhor o que é individuação, visite o Baú de Tesouros.)


O que a criança sabia que o adulto esqueceu 

Existe um tipo de conhecimento que as crianças têm e os adultos perdem no processo de se tornarem adultos. A capacidade de se maravilhar com o que é simples. De criar sem se preocupar com o resultado. De brincar sem precisar de justificativa. De sentir sem precisar de explicação. De estar completamente presente num momento - sem pensar no próximo. 

Não é ingenuidade. É uma forma de inteligência que a vida adulta tende a silenciar - em nome da produtividade, da responsabilidade, da seriedade que se espera de quem cresceu. 

A criança que quer voltar não quer que você abandone a maturidade que conquistou. Ela quer que você reintegre o que foi deixado para trás. Que o adulto que você é hoje receba de volta o que só ela ainda guarda.


O convite desta semana 

Esta prática tem dois movimentos - visualização primeiro, escrita depois. 

Primeiro movimento - visualização 

Escolha um momento tranquilo. Feche os olhos. Respire algumas vezes. 

Traga à memória uma imagem de si mesmo quando criança - antes dos 10 anos, se possível. Um momento em que você estava sendo completamente você mesmo - brincando, criando, explorando, sonhando. 

Observe essa criança com ternura:

  • O que ela está fazendo?
  • O que a faz brilhar?
  • O que ela sabe que você esqueceu?
  • O que ela ainda guarda que você precisaria resgatar?

Fique com essa imagem por alguns minutos. Sem pressa. Sem julgamento.

Segundo movimento - escrita

Abra o diário de bordo e deixe a criança falar:   

  • "O que eu mais gostava era... O que me fazia sentir vivo era... O que eu queria que você soubesse é... O que eu ainda guardo para você é..." 

Depois responda como o adulto que você é hoje: 
  • "Eu me lembro de você. E o que você guarda, eu quero receber de volta."
(Essa prática é uma forma de imaginação ativa - para entender melhor o conceito, visite o Baú de Tesouros.)

A individuação não é só integrar a sombra. É também resgatar a luz que foi guardada junto com ela. A criança que quer voltar não pede que você regresse. Pede que você avance - com ela. 

Bom Caminho.


Outros passos da sua jornada:
Passo 17 - O Sentido da Caminhada ◀|▶ Passo 19 - Quando o Caminho se Torna Mapa


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